pendentes no baú #1
Acho que nunca to cheguei a dizer e acho que é isso que tem
vindo a fazer com que sucumba cada verão. É uma rasteira anual na qual insisto
em deixar-me levar, ainda que para isso tu só precises de continuar a existir.
Não é normal, nem salutar esta espécie de luto eterno que
faz com que sufoque nos dias em que estou mais distraída com a vida.
Fizemos tudo o que havia para fazer, o melhor e pior e
portanto, entre nós não há dívidas.
A única coisa que ficou em falta foi dizer-te em alto e bom
som o que sentia por ti porque tudo o resto foi dito na altura possível.
Penso muitas vezes que é isto que falta, portanto sem
qualquer originalidade e já sem o momento certo:
Amo-te muito
Assim, sem ponto final porque foi assim que tu também, um
dia, o escreveste. Pode ser que agora tenha algum descanso.