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Ainda que em dias solarengos a tónica seja mais alegre, o corpo começa a acusar o cansaço do peso que a sua existência acarreta. O tempo devia encarregar-se de tudo, principalmente tornar as coisas mais leves mas é exactamente o oposto. O mesmo tempo que, em teoria atenuaria tudo, é o mesmo que torna tudo mais trágico pela falta dele. E talvez por isso, com a impassibilidade possível, continuo a alimentar o coração e até mesmo a insensatez com o dia em que perco o sangue-frio e deito tudo a perder. Toda a gente sabe que a insanidade vive de mãos dadas com o órgão que a bombeia e que o fim de um acaba com o suspiro do outro. Não obstante, levamos a vida inteira a tentar segregá-los a todo o custo, como se fosse a demanda de uma vida ou derradeiro objectivo para a concretização pessoal. Seja como for, quem sabe, com sorte, se esse dia não chega demasiado tarde e por isso mesmo, no dia em que chegar, já não houver nada para salvar?

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