margens de segurança

Começo a convencer-me que andei a minha vida inteira às avessas com o amor e o engraçado é que nem tenho nada contra ele. Talvez seja ele que não queira nada comigo ou em alternativa, a forma como nos relacionamos com o amor não tem de ser igual para todos. 

A minha relação com ele sempre foi platónica e de preferência, à distância. Amar as coisas com uma margem mínima de segurança acaba por ser bastante mais salutar. Que deus me salve e guarde de esbardalhar-me à primeira esquina - as filhas da puta são angulosas e traiçoeiras. 

Independentemente de continuar a preferir fazê-lo de longe, conheço de cor o drama, o quanto dói e o sabor doce que fica depois da tempestade. E talvez por isso mesmo, prefira gozar o "depois" e não o "durante". 

Com o tempo aprendemos a viver desta forma pacífica e a gozar os momentos de paz de um coração pouco ou nada sobressaltado. Mas, depois vem a chuva e vem o vento e vem a merda da sinfonia que tínhamos guardado numa caixa e enterrado debaixo de sete palmos de terra e acaba-se o sossego. De repente, a inquietude insurge-se à laia de uma fénix e a única coisa que podemos fazer é que esperar que ela arda totalmente e que volte para o lugar dela - longe. 

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