primeira linha
Vamos tentar ser positivos neste ponto: em teoria, o amor é lindo e toda a gente devia direito a, pelo menos, um. Viver uma vida inteira sem lhe conhecer o sabor é um desperdício da natureza mas por outro lado dói como a merda. Ninguém nos prepara para isto, ninguém nos explica o que é concretamente e portanto, não há alma que nos ensine o que esperar disto, a que demos um nome, mas do qual sabemos tão pouco. Sabemos sim o quanto nos faz feliz e o quanto nos consegue magoar. Sentimos na pele, no estômago e no coração as consequências, mas geri-lo para que consigamos conviver com ele é coisa sem consenso.
Posto isto, ando perdida há demasiado tempo. Talvez fosse mais fácil se tu me desses a mão porque o amor para além de fazer doer também cega. Pergunto-me como é que se respira e se vive nesta ansiedade. Como forma de sobrevivência dou por mim a convencer-me que não passas de uma ilusão sem corpo e sem mais matéria. Mas se assim é, porque é que continua a doer tanto?