confessar o inconfessãvel

Às vezes tenho a sensação que isto só passa se um dia eu tiver coragem de a entregar a ti. Mas depois sou assolada por dúvidas. Será que a vais estimar tanto quanto eu a estimei? Será que vais conseguir mantê-la viva? Acima de tudo, se ela morrer nas tuas mãos será em vão?

Por não estar certa do tratamento que lhe darias, continuo a guardá-la só para mim, mas às vezes torna-se pesada demais para carregá-la todos os dias. Por outro lado, se abro mão dela tenho medo de perdê-la porque ao mesmo tempo estou certa de que te perderia também.

Então, vive-se neste estado que acaba por não ser nada e que ao mesmo é tudo. Uma espécie de demanda que ninguém me obrigou a encabeçar e que não tem outra explicação a não ser um amor desmesurado do qual eu me recuso a abrir mão apesar de ter absoluta certeza de que já não existe a não ser nos milhares de caracteres que o foram registando ao longo do tempo e sobretudo, a dor que ele provocou. Porque esta é a que resta. A memória do quanto doeu amar-te com todas as partes do meu corpo.

Dou por mim a pensar que talvez fosse mais fácil viver com ela se eu partilhasse contigo uma quota parte do que foi para aqui chegarmos. Por outro lado, não quero que carregues um peso farto e que, no fim de contas não é o teu.
   

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