60 fps
Volto a gravar os frames todos não vá a memória falhar-me um dia. A última vez que o tinha feito foi há seis anos. Merda, o tempo passa a correr. Por breves segundos e enquanto te namoro de longe, lembro-me do encosto do teu ombro e da forma de encaixe que me deixava numa espécie de coma.
Essa mesma forma de encaixe, em que tudo parecia tão certo, foi a mesma que me lixou a vida e a vida dos outros que se cruzaram comigo. Dou por mim a pensar, enquanto gravava os frames, que era mais justo para todos dedicar-me à causa humanitária e deixar o amor para os outros. Os inocentes que acreditam que esta coisa do amor é uma coisa a ser vivida a dois, ou a três, ou tantos quantos couberem no coração.
É mentira. O amor deve ser a coisa mais solitária do mundo. O amor não precisa de retribuição. O amor alimenta-se sozinho das pequenas coisas e chega-se a si próprio. É cheio de si mesmo.
Isto não deu errado. Aliás, deu tão certo que eu continuo a não ir a lado nenhum. Chega a ser patético. Os arrepios, a falta de equilíbrio mas também a calmaria que se apodera de mim quando estás por perto.