john doe

Não podíamos estar a falar na mesma pessoa, certamente. A descrição não era compatível com aquilo que me era familiar. Mas assumindo que era verdade, perguntei-me se o tempo te tinha sido tão cruel ao ponto de te teres perdido algures pelo caminho.

Continuamos a não estar a falar da mesma pessoa. A minha pessoa era doce, meiga, capaz de provocar um pico de hiperglicémia aos mais distraídos. A outra não. A outra estava claramente marcada pela vida. Meia dúzia de anos são o suficiente para que uma pessoa mude da noite para o dia e eu percebo isso, mas custa-me acreditar que a minha pessoa já não existe aí dentro.

Estás mais seco e isso é normal, mas és tu, da forma que me lembro e que quero reservar. É essa a pessoa que eu faço questão de encontrar sempre  em ti. Talvez seja eu quem não quer aceitar que tu nunca passaste de um produto da minha imaginação e em quem eu nunca deixei de acreditar.

Seja como for, seja qual for a verdade ou a razão, és tão mais bonito da minha maneira.

Postagens mais visitadas