happy place
Afaguei-te da mesma forma que os gatos fazem quando encontram um lugar quente para se aconchegarem. Há coisas que não mudam e memórias que voltam sem que lhes tenhamos dado autorização para nos tirar o sono.
A falta que a merda do teu ombro me faz. É horrível saber que qualquer outro não serve e que qualquer tentativa para encontrar um substituto só agrava a sensação de vazio.
Às vezes sou assolada pelo medo, não de nunca mais dormir nos teus braços, mas sim de sentir para sempre a certeza de que estou no lugar errado.
Ontem enquanto ajeitava as almofadas e o sono não chegava dei-me conta que todas as noites o ritual é o mesmo desde que o teu ombro passou a ser uma memória. E talvez por isso, é em ti que eu encontro a paz que preciso para adormecer. Não há noite em que o teu ombro não esteja lá ainda que em forma de almofadas desalinhadas e apertadas contra o meu corpo.