bairro do amor
Pela minha casa vai habitando uma criança. Um miúdo que não sabe o que fazer com as mãos, com as palavras, muito por culpa de não saber controlar o coração. E então perde-se, fica calado, arqueia as sobrancelhas e olha-me de esguelha à espera de uma reacção. Mas ainda assim, quando é preciso, cresce, faz-se homem e mostra-me a razão pela qual me apaixonei. À noite, digo-lhe baixinho que tenho o melhor miúdo do mundo: o que me enche o coração de esperança e o que me faz acreditar que afinal nem tudo tem que começar mal para acabar um pouco melhor. Ao que parece, as histórias mais extraordinárias podem acontecer quando menos se espera.