criador
Não sei se sou eu que deixo transparecer tudo o que não chega a ser dito se é ele quem me conhece bem. Às vezes, se calhar mais do que as que me consigo lembrar, dou por mim a pensar que ele vive no seu mundo e que poucas vezes desce ao real: o nosso. Nunca o conheci de outra forma e por isso acabei por me habituar ao facto de ter um pai que vive entre lá e cá, entre o sonho e uma realidade cheia de cores pintada por ele. Apesar das imensas manifestações de carinho diárias a que somos expostas, sempre tive a sensação que nunca conheceu verdadeiramente as filhas que tem.
Ao que parece enganei-me. Apesar do seu ar aluado, afinal conhece, como as suas próprias mãos, as filhas que tem. Ou por outro lado, talvez eu seja mais parecida com ele do que algum de nós quer admitir.
Seja como for, no outro dia senti-me completamente desarmada sem ter havido uma única palavra.