rebentar a bolha

Em todos nós há uma bolha. Pelo menos é o nome carinhoso a que dou ao espaço físico necessário para nos sentirmos confortáveis na presença dos que nos rodeiam todos os dias. Naturalmente, essa bolha aumenta ou diminiu mediante a confiança que temos nos outros. A minha, pelo sim pelo não, sempre foi, digamos, alargada. Seja com quem for, venha quem vier. Com exceção de uma ou outra alma que por um motivo ou outro conseguiram que a bolha fosse mais apertada, a verdade é que ela existe, está lá e faz-se notar.
 
Todos nós temos uma bolha e se a maioria das pessoas não chega a pensar no assunto, eu, por outro lado, divirto-me a analisar o tamanho da bolha das outras pessoas mediante que está próximo. Umas vezes larga, outras mais curta e ainda que raramente, às vezes sem ela.
 
E um dia destes cheguei à conclusão que a dita bolha serve tão só e tão pouco para medir o grau de confiança que temos nos que circulam na nossa vida. Há uns em que a distância é eterna, há outros em que a vontade é rebentar a bolha torna-se o fadário do dia-a-dia.

Chegou a primavera.

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