pelo caminho

Enquanto conduzia e falava sobre nada, dei-me conta que mesmo sem sabermos disso, encontrámos a forma de convivência que nos serve melhor. A dor que sufocava foi substituída pela paz apaziguadora da ausência de dúvidas, de perguntas ou de expectativas. Mas não foste tu que mudaste. Fui eu. Levei uma década inteira a aprender a viver contigo de uma forma que não magoasse e acho que finalmente, cheguei ao ponto onde tu querias que eu tivesse chegado há dez anos atrás. 

Desculpa ter levado tanto tempo. Podíamos ter começado isto mais cedo se eu não fosse como sou. Ou como fui. 

Levei dez anos a aprender que, deixar-te a porta da gaiola aberta não significa necessariamente que não voltas para mim e que abrir mão de mim não significa que te vais para sempre. Porque na verdade tu voltas e eu, pelo caminho, descobri que isso é que conta. 

Continuas a ser aquele que me tirou o chão e que me revirou as entranhas, mas a saudade amarga transformou-se num hino ao que o amor devia ser. E sabe tão bem deixar-te ir e voltar para te buscar.

  


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