little things
Sem saber como, tornei-me descrente naquilo que durante anos serviu como força motora para seguir caminho. Durante anos vivi a tentar sobreviver à ideia de que teria de aprender a respirar mesmo que esse simples acto involuntário magoasse ao ponto de me toldar o raciocínio.
Aos poucos, o combustível da minha vida desapareceu e eu nem me dei conta de que estava a chegar à reserva. Deixei de acreditar naquilo que para mim era a missão de uma vida e nem tive oportunidade de escolha. Simplesmente desapareceu sem deixar rasto e só hoje me dei conta disso.
Será que abri mão dele ou será que ele foi escorrendo lentamente entre os dedos das mãos por ter tentado segurá-lo com demasiada força?
E agora a pergunta que resta... será isto o fim de uma morte anunciada há demasiado tempo ou o início de outra coisa qualquer?
Seja como for, tem sido um percurso que continua a merecer registo. Foi tão mau que é óptimo. Sobreviver a isto e conseguir guardar com um carinho desmesurado aquilo que resta de uma coisa que eu julguei ser para sempre, torna-se perfeito.
Por outro lado, talvez deva procurar a verdade numa outra perspectiva - mais dura, é certo, mas que acaba por fazer mais sentido ainda que talvez eu nunca venha a ter coragem de admiti-la.
Continua tudo a ser tão perfeito que chega a ser heresia pedir mais do que foi.
Talvez tenha de me habituar à ideia de que eu mudei só para continuar a conseguir ter-te por perto.
Merda.