fardo

Não é o medo de ficar descarnada à tua frente que me impede. Também não é aquele momento em que me respondes que não sabes o que dizer. Ou também não é o facto de não poderes corresponder com a mesma moeda. Nunca me quererás da mesma forma que eu te quero a ti, portanto, resta-me esperar que eu te queira na mesma medida que tu me queres. O tempo há-de tratar de tudo quando for o tempo disso. 

O que ainda me detém é que existe a possibilidade de te perder para sempre e eu acho que não sei viver com isso. Prefiro contentar-me com aquilo que tenho - que me parece tão pouco - a perder tudo, perder-te a ti.

Ter-te ao longe durante uma década manteve-me viva, louca e de certa forma feliz. Mas há dias em que fico tão zangada que me apetece maltratar-te da mesma forma que o fiz no dia em que me disseste que me amavas. Às vezes tenho a impressão que és tu o maior pateta e que és tu quem vai perder no final. Ainda assim, passa depressa. Fazes-me tão bem, ainda que não o saibas, que chega a ser pecado ter acessos de raiva, ainda que passageiros.

Uma coisa é certa - no dia em que eu achar que já chega, tudo isto vai parar-te às mãos. Não porque não queira mais, mas sim, porque o amor tornou-se demasiado pesado para carregá-lo sozinha. 




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